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Pandemia adia abertura de hotel para janeiro junto à Gare do Oriente

O hotel do Grupo Mariott faz parte de um complexo que inclui também a K Tower, uma torre de escritórios que está atualmente em construção. Serão 15 mil metros de área distribuídos por 14 andares, num investimento €50 milhões da Krest Real Estate Investments.


ANDRÉ RITO

 

Finalizado em junho, o primeiro Hotel Moxi em Portugal, do Grupo Mariott, está com a inauguração suspensa desde o início do verão. Esteve para abrir em setembro, mas a evolução da pandemia acabou por trocar as voltas a Claude Kandiyoti, presidente do Krest Investment Group, proprietário da unidade hoteleira. Com investimentos no nosso país na ordem dos €250 milhões, o empresário tem-se desdobrado em viagens entre a Bélgica, onde vive, e Portugal. “Prevemos fazer um soft opening durante o mês de janeiro, mas ninguém sabe muito bem como o mercado vai estar nessa altura”, disse ao Expresso o investidor belga, que já fez sete testes à covid-19 desde o início da pandemia.

 

Situado em frente à Gare do Oriente, o hotel do Grupo Mariott faz parte de um complexo que inclui também a K Tower, uma torre de escritórios que está atualmente em construção. Serão 15 mil metros de área distribuídos por 14 andares, num investimento €50 milhões da Krest Real Estate Investments. E é aqui que residem as maiores dúvidas do empresário belga, cuja família fez fortuna em Portugal na área dos têxteis.

 

Krest adia abertura de hotel para janeiro Claude Kandiyoti tem perto de €250 milhões investidos no imobiliário em Portugal André Rito Finalizado em junho, o primeiro Hotel Moxi em Portugal, do Grupo Mariott, está com a inauguração suspensa desde o início do verão. Esteve para abrir em setembro, mas a evolução da pandemia acabou por 163 trocar as voltas a Claude Kandiyoti, presidente do Krest Investment Group, proprietário da unidade hoteleira. Com investimentos no nosso país na ordem dos €250 milhões, o empresário tem-se desdobrado em viagens entre a Bélgica, onde vive, e Portugal. “Prevemos fazer um soft opening durante o mês de janeiro, mas ninguém sabe muito bem como o mercado vai estar nessa altura”, disse ao Expresso o investidor belga, que já fez sete testes à covid-19 desde o início da pandemia.

 

Mudança de uso e incerteza nos escritórios

 

Num tempo de pandemia e teletrabalho, o futuro adivinha-se incerto para o mercado de escritórios, mesmo numa cidade com tão poucos espaços disponíveis.

 

O que vai acontecer, acredita o empresário, será uma mudança no que respeita à dinâmica de utilização de espaços interiores e exteriores. “Na K Tower estamos a construir novos espaços exteriores para fazer reuniões de negócios. As pessoas vão acabar por voltar para os seus escritórios, mas não acredito que isso vá acontecer antes do fim de 2021”, afirmou, estabelecendo algumas diferenças neste mercado entre Portugal e a Bélgica. “Há uma aposta maior em Bruxelas na procura de espaços exteriores”, explica o empresário.

 

Apesar das dúvidas de Kandiyoti, o mercado dos escritórios tem dado alguns sinais de recuperação em Lisboa. Segundo a consultora Savills, no mês de agosto registou-se um volume de absorção aproximado de 13.500 metros quadrados, um aumento de 19% comparativamente ao mesmo período do ano de 2019

 

Mercado residencial duplica vendas

 

O imobiliário tem-se mostrado um dos sectores mais resilientes durante a pandemia em Portugal. Ao contrário das perspetivas mais pessimistas, os preços não caíram a pique nem o volume de vendas teve abrandamentos significativos.

 

Em alguns casos, houve até um incremento quer nos arrendamentos quer nas vendas — o que se tem assistido é a uma alteração nos padrões da procura. “No mercado residencial duplicámos as nossas vendas, há uma grande procura de investidores para casas, subiram os preços e as vendas. O mercado está um pouco mais lento, mas continua a crescer. Fui ao Algarve ver um dos nossos projetos, temos menos visitas, mas as pessoas que vêm estão decididas a comprar”, afirmou.

 

Investidores estrangeiros mantêm o interesse

 

Questionado sobre o investimento estrangeiro em Portugal, que durante os últimos anos alavancou boa parte do sector imobiliário, Claude Kandiyoti não tem dúvidas de que o país continua a despertar o interesse de investidores internacionais. “Continuam a querer investir em projetos de grande escala. Há muitos negócios a acontecer no mercado. Os investidores em pequena escala desapareceram, aqueles que vinham para comprar apenas um imóvel numa lógica residencial. Esses precisam de se deslocar e não estão disponíveis para viajar havendo risco de contágio. Mas os fundos que costumam investir no país ainda estão ao mesmo nível. Há imenso dinheiro no mercado, é uma loucura.”

 

Presente em Portugal desde 2010, a Krest Real Estate Investments iniciou os negócios com a compra de um armazém para a empresa têxtil fami liar em Paços de Ferreira. Foi por essa altura que começou a surgir também no negócio imobiliário, investindo na compra de 11 imóveis ao Estado. “Na altura, Maria Luís Albuquerque precisava de dinheiro para pagar as pensões. E nós concorremos a uma série de edifícios à venda em hasta pública, pagámos sem recurso a financiamento”, lembrou Kandiyoti, que atualmente tem mais de uma dezena de projetos imobiliários em Portugal.

 

Um dos investimentos que a empresa tem estado a promover chama-se Jardim de Miraflores. Com vista para o estuário do Tejo e uma vasta mancha verde, são três edifícios que vão de encontro ao mercado em tempos de distanciamento social. A empresa tem também em curso dois projetos no Algarve, o Lakes 24, em Vilamoura, e o Forte Novo, em Quarteira. Apesar de ter alguns projetos residenciais em zonas de luxo, como na Baixa pombalina, o essencial do negócio, diz Claude, é a habitação a preços mais acessíveis. “É nisso que a nossa equipa agora está focada.”

 

economia@expresso.impresa.pt

 

NÚMEROS €250 milhões é o total da carteira de investimentos feitos pelo Krest Real
Estate Investments em Portugal. Além de vários projetos em Lisboa, o grupo apostou
também em Miraflores e no Algarve 14 é o número de andares da K Tower, torre de
escritórios na Expo, que representou um investimento de €50 milhões