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€50 milhões revitalizam zona ‘abandonada’ da Expo

O primeiro Moxy Hotel em Portugal está concluído e já foram lançadas as fundações para a torre de escritórios que integra o complexo


ANDRÉ RITO

 

O empresário Claude Kandiyoti chamava-lhe “terra de ninguém”. Se a Expo’98 revitalizou a zona oriental de Lisboa com um vasto complexo residencial, serviços e comércio, do outro lado da linha de comboio o contraste é evidente, com terrenos baldios e zonas abandonadas.


Em 2015, aquele empresário belga quis investir na capital portuguesa e lembrou-se das palavras do seu mentor quando se aventurou nos primeiros negócios imobiliários: “Se encontrares um terreno junto a uma estação de caminhos de ferro, compra.”


Situado em frente à Gare do Oriente, o terreno deu lugar a dois edifícios, que farão parte de um futuro complexo de negócios: o Moxy Hotel, do grupo Mariott, que está concluído e deverá ser inaugurado até setembro, e uma torre de escritórios — a K Tower —, com 14 andares e 15 mil metros quadrados de área, que está agora a ser construída. O investimento total, a cargo da Krest Real Estate Investments, foi de €50 milhões, e o empresário admite fechar a venda dos escritórios — a cargo da JLL — antes da conclusão do edifício.


“Há poucos espaços disponíveis para escritórios e estávamos a negociar a bom ritmo antes do confinamento. Agora as empresas estão paradas, a fazer uma avaliação sobre como gerir esta crise, mas acredito muito neste projeto”, afirmou o CEO da empresa belga ao Expresso, esta semana, durante a apresentação do primeiro Moxy Hotel em Portugal. Trata-se de uma unidade do grupo Marriott mais vocacionada “para a geração dos millennials”.


Com 222 quartos — alguns com vista para o rio —, serviços de internet de alta velocidade, estacionamento, ginásio, salas de reunião, biblioteca e terraços, o hotel de três estrelas é parte do conceito e visão de Claude, que aposta na sustentabilidade, em edifícios amigos do ambiente e numa menor dependência do automóvel.


A ideia de construir um hotel e uma torre de escritórios, recorda Claude ao Expresso, surgiu “um dia depois” de ter comprado aqueles dois terrenos junto à linha de comboio. Numa altura em que Portugal estava sob resgate financeiro, com a economia de rastos, o empresário apostou tudo. “Toda a gente me dizia que Portugal ia entrar em bancarrota. Quem é que vai investir em escritórios ou hotéis numa altura destas?, perguntavam-me. Diziam que eu era maluco”, conta Kandiyoti, que não cedeu às previsões mais pessimistas. “Isto será um projeto para grandes empresas”, afirmou ao Expresso, sentado num lobby do Moxy Lisboa Oriente, o principal espaço do hotel, amplo, com uma forte estética contemporânea e industrial.


“A abordagem de design teve por base as guidelines [linhas orientadoras] desta marca de lifestyle e o local onde se insere o edifício. O caráter industrial da zona, o declive acentuado do terreno e a arte urbana preexistente foram sem dúvida uma fonte de inspiração”, disse Margarida Caldeira, arquiteta, diretora do gabinete português da Broadway Malyan, que assegurou o projeto do hotel, cujas principais características decorativas no lobby são os azulejos com desenhos contemporâneos com referência a padrões tradicionais portugueses e grandes peças de arte de rua.


Com vista para o lobby, há uma mezzanine com salas multiespaciais, incluindo um ginásio, um local de reunião onde os hóspedes podem trabalhar, conhecer ou conversar em mesas comuns ou a mistura de sofás e cadeiras confortáveis”, explicou a arquiteta Margarida Caldeira.


A Krest Real Estate Investments está em Portugal desde 2010. A família fez fortuna no ramo têxtil e foi através da compra de um armazém para a empresa, em Paços de Ferreira, que começou a surgir o negócio imobiliário, investindo depois na compra de 11 imóveis ao Estado.