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Krest vai investir em novos empreendimentos de escala, inovadores e sustentáveis em Portugal

Krest vai investir mais 200M€ em Portugal

 

Sandra Rosa

Fernanda Pedro

 

A promotora belga Krest Real Estate Investments chegou a Portugal em 2013, tendo já investido cerca de 200 milhões no mercado português. A pandemia não a demoveu dos seus objectivos e preparar-se agora para investir mais 200 milhões em novos empreendimentos de escala, inovadores e sustentáveis. Nos próximos cinco/seis anos promete surpreender com obras na Grande Lisboa, Porto e Algarve.

 

A Magazine Imobiliário foi ao encontro de Claude Kandiyoti, CEO da Krest, no hotel Moxy Lisboa Oriente, localizado junto à Gare do Oriente, no Parque das Nações, em Lisboa. Trata-se da mais recente unidade da marca do grupo Marriott International e o primeiro em Portugal. Ficou concluído em plena pandemia mas não abriu portas, o que significa também que “não tiveram custos”.

Os primeiros hóspedes deverão chegar no próximo mês de Junho. Muito embora Kandiyoti admita que tal “não depende de nós mas da evolução da pandemia e da forma como a indústria turística vai abrir”, não tem dúvidas de que quando abrir será um “sucesso”.

Um dos pontos fortes deste hotel prende-se com o lobby que conta com a decoração de artistas belgas de street art, quase parece que entramos num museu moderno. É irresistível entrar e faz apetecer ficar por ali, no “chill out”, no “relax”. Mas, acima de tudo, este espaço quer ser um “laboratório vivo”, com “exposições, eventos, onde é possível andar de skate, beber um copo…”

 

Visão sustentada de edifícios

A paredes-meias com o hotel encontra-se um outro edifício, no qual já se vêem as fundações: K-Tower.

Após um período de interregno por causa da pandemia, as “obras regressaram”. Este edifício de escritórios terá 13 pisos tem mais de 15.000 metros quadrados (m2) de área de construção acima do solo. É um empreendimento “muito sustentável, com certificação BREEAM,” e está próximo da estação de comboios, do metro e do autocarro o que significa que o acesso ao local de trabalho é feito de uma forma mais sustentável”.

Verdadeiro defensor da sustentabilidade, diz que vem da Bélgica onde o seu meio de transporte habitual é a “bicicleta” e por isso acredita que “o ideal é usar cada vez menos o automóvel nas deslocações.”

O CEO da Krest destaca duas importantes premissas que estiveram na égide deste edifício: ESG (Environmental Social and Governance – Ambiente, Social e Gestão) e EW (Environment of Work).

No que toca ao primeiro, o promotor tentou apurar em que medida a operação do edifício pode ser parte de um bem maior para a comunidade, para a sociedade, para o ambiente e para a pegada ecológica que queremos deixar. Tal exigiu mais espaço, mais soluções de poupança, mais acesso a mobilidade sustentável, etc.. Para se ter uma noção, o jardim que antes da pandemia era simplesmente “decorativo” foi “repensado” e é agora um espaço de trabalho “indoor e outdoor” onde se “podem agendar encontros ou almoços.”

O segundo prende-se com o espaço de trabalho no qual, actualmente, “o colaborador tem de se sentir em casa, que tem acesso a tudo e que tem um óptimo ambiente de trabalho.”

A promotora encontra-se a finalizar o arrendamento da K-Tower com diversos inquilinos e o processo deverá ficar concluído dentro em breve.

 

Torre Girassol já está 85% vendido

A Krest está também a fazer uma aposta forte no mercado residencial. Depois do já divulgado projecto na zona de Miraflores, segue-se o Porto e o Algarve.

O empreendimento residencial Jardim Miraflores, na zona de Oeiras, vai contar com três edifícios, num total de 120 apartamentos, seis lofts e áreas de comércio e serviços. A construção da Torre Girassol iniciou-se há cerca de um mês mas o edifício já está 85% vendido. Terá 15 pisos e 68 apartamentos. Depois seguir-se-á, o Lotus Living, com nove pisos e 47 apartamentos, e a Villa Iris, com três pisos e quatro apartamentos.

Aqui o destaque vai para “as vistas sobre o mar e as varandas fantásticas”, bem como para a “centralidade e proximidade com Lisboa” e ainda para o “sentido de comunidade, onde as pessoas vivem num condomínio com piscina e ginásio e têm fácil acesso a tudo, desde comércio, serviços, escolas.”

Claude Kandiyoti refere que “operamos maioritariamente para o mercado português, não trabalhamos com Vistos Gold” e que com projectos desta natureza pretendem “dar resposta às necessidades do mercado nacional, das famílias e da classe média portuguesa.”

 

“Live, Work and Play”

No que se refere ao projecto do Porto, o CEO da Krest avança que localiza-se na zona da Campanhã, conta com assinatura do arquitecto Eduardo Souto Moura e é a “primeira a desenvolver um projecto de larga escala nesta zona da cidade.”

No projecto de Campanhã vai ser incrementado a marca: “Live, Work and Play.” Trata-se de um complexo com um “espaço multifuncional constituído por uma componente residencial, escritórios, jardim, restaurante e um pequeno boutique hotel.”

Aqui o público-alvo é diferente do de Miraflores, é algo que já fazem na Bélgica, e que tem a ver com a habitação a preços acessíveis: “Para jovens famílias que estão a começar a sua vida, para arrendarem casas dentro das suas possibilidades.” Refira-se que a Krest optou por não participar no programa local de habitação a preços acessíveis e Kandiyoti afirma mesmo que “não temos a certeza se algum dia participaremos”, pois “apesar dos incentivos iríamos ficar debaixo de regulamentações muito restritivas no que concerne à forma construtiva, a quem arrendar…”. Ainda assim, diz que querem ser “parte da solução”.

Este é um projecto que vai desenvolver-se em torno do conceito Built-to-Rent (BTR – construir para arrendar). Aliás, na calha o promotor belga tem mais dois projectos BTR em Lisboa, sem avançar quais devido ao facto de ainda estarem a ser “analisados”, sob a umbrella do conceito “Live, Work and Play” e da visão ESG.

 

Com um pé em casa e outro no mar

Mais a Sul, têm em desenvolvimento os projectos Lakes 24, em Vilamoura, e Horizon, em Forte Novo, Quarteira, ambos no Algarve.

O primeiro possui duas penthouses com jacuzzi panorâmico e uma piscina exterior privada; o segundo, que é a grande novidade do Grupo, é composto por 132 apartamentos, penthouses de luxo, jardins privados e duas piscinas exteriores.

Kandiyoti destaca o Horizon como sendo “um projecto muito belo” que “está na linha da frente de praia” e a “poucos metros do mar”. Espera dentro de dois meses obter a licença de construção mas demorará dois anos a ser construído.

 

Mercado português é de confiança

O CEO da Krest diz categoricamente: “Acredito no mercado português!”

Isto porque “o país de um estado de sobrevivência, onde existiam projectos que eram desenvolvidos em outros países mas não em Portugal, passou para um país forte e atractivo e onde ainda há muito para fazer.”

Destaca também que “os portugueses são um povo muito resiliente, que passou por uma terrível crise mas soube dar a volta, e que agora atravessa outra crise, como todo o mundo, e, ainda assim, faz-nos confiar.”

No que diz respeito ao mercado nacional salienta, do lado negativo, a burocracia que diz ser uma “dor” mas reconhece que tal é “algo que acontece em muitos outros paises.”

Na sua opinião, o mercado português está “a crescer, estão a chegar novos actores, mais profissionais, e de maior dimensão” mas diz também que ouve “falar de projectos para Lisboa como se se tratasse de Nova Iorque” e, como sublinha, “Lisboa não é Nova Iorque, nem o Porto é São Francisco, é preciso definir muito bem a escala dos projectos para se ter sucesso.”

Quanto à Krest Real Estate Investments frisa que encontra-se em Portugal numa “visão de longo prazo”. Conforme revela, vão investir “mais 200 milhões de euros nos próximos quatro anos” e acrescenta que tem “em pipeline mais três grandes projectos que nos vão ocupar os próximos cinco/seis anos.”