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Belga Krest duplica investimento no mercado nacional nos próximos quatro anos

Belga Krest vai investir 200 milhões em Portugal em quatro anos

 

Pedro Curvelo

 

O investimento total da Krest em Portugal vai duplicar nos próximos quatro anos e a aposta é em habitação “acessível e sustentável”. O CEO da empresa critica, no entanto, a “burocracia” nos licenciamentos.

 

Presente em Portugal desde 2013, a Krest vai duplicar o investimento no mercado nacional nos próximos quatro anos, superando os 400 milhões de euros, diz ao Negócios Claude Kandiyoti, CEO da promotora imobiliária belga. Serão 200 milhões em novos projetos centrados na Grande Lisboa, Grande Porto e no Algarve. E, garante Kandiyoti, serão projetos “acessíveis” e “sustentáveis”.

Atualmente, a Krest tem vários projetos em curso, com destaque para a K Tower, no Parque das Nações, em Lisboa. O edifício de escritórios com 13 pisos arrancou a fase de construção em março. Também já este ano começou a ser construída a Torre Girassol, o segundo de três edifícios do Jardim de Miraflores.

No verão deverá começar a construção do projeto Horizon, na praia de Forte Novo, em Quarteira. Trata-se de um empreendimento com mais de uma centena de apartamentos e que começará a ser comercializado em maio. Ainda no Algarve, a Krest tem em fase de construção o condomínio privado Lakes 24, em Vilamoura, tendo já vendido 70% dos 24 apartamentos, refere Claude Kandiyoti.

Na calha, mas numa fase menos avançada, está o projeto de uso misto em Campanhã, no coração do Porto. O projeto do arquiteto Eduardo Souto Moura deverá contemplar 7.000 metros quadrados (m2) para habitação, 5.000 m2 para escritórios e 2.000 m2 para “um pequeno hotel e um restaurante”, diz o responsável. “Vamos pedir o licenciamento dentro de dois a três meses e esperamos obter as licenças para avançar com as obras dentro de um ano ou ano e meio”.

“Será um projeto sustentável. Algo que nós decidimos que será um critério do qual não abdicamos”, frisa. Claude Kandiyoti diz que esta opção não pode comprometer o custo dos projetos, inviabilizando que sejam “acessíveis”. “Na Polónia, os custos nos projetos sustentáveis aumentam em 10%. Aqui, dizem-me que sobem 40%. Não aceito isso, gostamos muito de trabalhar com arquitetos portugueses, mas se não conseguem um projeto sustentável com custos aceitáveis iremos trazer arquitetos estrangeiros”, reforça.

A Krest tem ainda em vista dois grandes projetos, de mais de 50 milhões de euros, um na Grande Lisboa e outro no Grande Porto, mas sem poder ainda revelar detalhes.

 

Licenciamento burocrático afasta investidores

Claude Kandiyoti não esconde que o licenciamento é um dos grandes problemas no setor. “Não é só em Portugal, em toda a Europa. Na Bélgica, por exemplo, gastamos imenso tempo a discutir com o poder político os projetos . Aqui o atraso é essencialmente administrativo”, nota.

O licenciamento é “extremamente complicado e lento” em Lisboa, sublinha, dizendo mesmo que “se estiver a analisar um projeto e as alternativas forem Lisboa ou Oeiras, escolho Oeiras, porque o processo é mais rápido”.

O CEO da Krest reconhece que “se nota que a Câmara de Lisboa está preocupada com a situação”, mas “ainda não há progressos”. E, defende, nos grandes projetos “é necessário haver uma pessoa que acompanhe o processo do princípio ao fim. E é preciso haver um calendário para a obtenção de licenças”.

 

 

"É necessário haver uma pessoa que acompanhe o processo [de licenciamento] do princípio ao fim."

CLAUDE KANDIYOTI, CEO da Krest